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Descrição

CASA TIXA II

A Casa Tixa já teve projecto para outro local.
Os clientes optaram por uma maior urbanidade e o local passou a ser outro, também dentro da cidade, mantendo-se, no entanto, o programa praticamente inalterado.

O local é composto por dois lotes de um loteamento como tantos outros.

A diferença está na vista para o Castelo.
O Castelo de Santa Maria da Feira, em tempos Vila da Feira, é um raro exemplo de construção fortificada, que mais parece saído de um conto de fadas de Grimm. Implantado entre a mata de carvalhos da encosta, contraria a situação dos castelos a que estamos habituados, castelos que se encontram no topo de colinas ou montes, por razões de segurança.

É esta situação de privilégio que motivou a compra do terreno.

Os parâmetros definidos em loteamento, e ainda bem, condicionaram as várias propostas que foram sendo elaboradas para o local. Mas o programa, os clientes e o projectista mantiveram-se.

O inconformismo, a insatisfação, a falta de convicção e a procura do melhor, obrigaram a estudar, para logo abandonar, várias propostas.
A convicção era mútua entre projectista e futuros utentes. As aproximações sucessivas eram necessidade comum.

A persistência sempre traz melhores resultados que o conformismo.

A Casa Tixa II caracteriza-se pela interpretação e, talvez, subversão dos parâmetros e regras de loteamento e urbanismo precário.
Premissas habituais e confrangedoras do planeamento urbano que se produz em Portugal e que vai definindo a paisagem.
Cabe-nos a possível e necessária subversão.

Os limites definidos e legais são afirmados por duas paredes. Uma de vinte e quatro metros ao longo da frente do terreno e a outra, mais pequena e perpendicular, no limite, a poente.


O muro é contentor aberto onde se encaixa o volume ortogonal do programa, em três pisos, da habitação.
À cota da rua tem-se acesso ao piso das áreas sociais. No piso superior ficam os quatro quartos da família. No piso inferior os espaço lúdicos.

Este volume é estruturalmente metálico, suportando e apoiando a grande parede limítrofe em L.

A nascente, o volume da garagem e arrumos, ortogonal ao volume da casa, encaixa na geometria do terreno.

Planos verticais preenchidos entre elementos estruturais por ripado de madeira, pisos, varandas e avançados também cobertos com madeira. Sistemas de portadas de correr ou de abrir permitem a transformação do volume em aberto de dia e fechado de noite, assim como do controlo da luminosidade, quando excessiva.

A imagem frágil de mecanoo aparafusado pretende o contraste com a brutalidade e opacidade do limite em betão.

No interior espaços comunicantes, tanto quanto a privacidade o permite.
Comunicantes também entre interiores e exteriores.

Apesar da exiguidade do terreno pretende-se proporcionar o usufruto do exterior, física e visualmente.
Os espaços entre a parede de betão e o volume da habitação permitem abertura sem perder privacidade. A norte, um jardim directamente ligado com os espaços da sala e da sala de jantar. A poente, e à cota do piso inferior, um espelho de água dialoga com a piscina.

E o Castelo à distância de um olhar.

Gaia, 7.05,2009

Carlos Castanheira

Ficha Técnica

Ficha Técnica

Projecto: Casa Tixa II
Habitação Familiar

Cliente: Cristina Rosa e Paulo Valente Marques

Local: Santa Maria da Feira

Data de Projecto: Outubro 2008


Proj. Arquitectura: Carlos Castanheira, Arqtº
Carlos Castanheira & Clara Bastai, Arqtos Lda.

Colaboração:
Aikaterini- Angeliki Dimiri
Marta Oliveira
Patrícia Carvalho
João Figueiredo

casa Tixa II
Santa Maria da Feira, Portugal | 2008