A CARREGAR

Descrição

Da Europa vê-se África.

O terreno situa-se numa franja de áreas protegidas, mas as pré-existências e o acesso permitiram e privilegiaram a realização da obra. No inicio era uma casa e alguns espaços para receber amigos. As necessidades de contenção e regularização do terreno, arenoso, levaram á realização de três unidades que, apesar, de independentes, formam um todo. Após a demolição da pré-existência, autoconstrução e ausência de qualidade, interpretou-se a implantação, adaptou -se ao novo programa, ao terreno e sobretudo à paisagem. Havia uma piscina, ou coisa parecida, torta, retorcida, desnivelada, coisa que a água não perdoa. Escavada assim, por acaso, ao acaso, num patamar de areia que só a vegetação de piteiras sustentava, num cai e não cai, num vai e não vai. Necessário conter para não se perder o tanque, recuperável, adaptável. Surgem duas pequenas casas de contenção do terreno, contidas neste, para que a paisagem seja constante, sempre ali. Da contenção surgem patamares, terraços e percursos estabilizados. A habitação principal, de carácter mais permanente, tem dois pisos. No piso térreo os espaços comuns e os técnicos e um quarto para visitantes, amigos. Terraço a sudoeste sobre as outras construções, criando e usufruindo de privacidade, terraço a noroeste de protecção do levante, vento de presença, dominante, condicionador, mas também,,tantas vezes, fustigante. No piso superior um quarto e um escritório para as escritas de profissão, usufruindo da vista sobre o rio Barbate, que se estende para lá de Trafalgar, até Tanger, África. As outras, duas, encastradas na areia, têm uma frente e um espaço central de sala, cozinha, ladeado por dois quartos e respectivos sanitários. Terraços de sombreamento mas também de extensão do interior para o exterior, do estar e do ficar. Paredes de alvenaria, como habitualmente fazem no local, coberturas e caixilharias de madeira como outrora, também, sabiam fazer. Obra simples, obra complexa pela recuperação de valores esquecidos, de interpretação de variantes do local, do ambiente e do clima. Obra diferente do pseudo-andaluz, que habitualmente se faz com pseudo-tradição, no inicio estranha, aos poucos aceite. Num espaço estreito de transição da encosta de pinheiros mansos, frondosos, para o laranjal roubado ao sapal, as Casas Don Esteban são lugares de repouso e contemplação, também algum trabalho, que nos levam em vistas de outro continente, tão perto mas tão diferente.


Carlos Castanheira

Ficha Técnica

Cliente:
Stefan Adolf

Local:
Veger de La Frontera – Cádiz - Espanha

Data de Projecto:
2004-2006


Proj. Arquitectura:
Carlos Castanheira
Carlos Castanheira & Clara Bastai, Arqtos Lda.

Colaboração:
Isabel Carvalho
Orlando Sousa
Demis Lopes
Ricardo Serra
Dalila Gomes
Francisco Zamith (3D)

Especialidades:
Paulo Fidalgo, Eng. Civil
HDP Gabinete Projectos. Engenharia Civil, Lda.

Construtor:
CASAVI- Construcciones, veger de La Frontera

Carpintarias:
Henriques & Rodrigues , Ldª
casa don esteban
Veger de La Frontera – Cádiz - Espanha | 2004 - 2006