A CARREGAR

Descrição

Casa da Madalena.
O programa foi-me apresentado muito definido, claro: sala comum, cozinha, pequeno escritório, três quartos, espaço de garagem e alguns arrumos. Aproveitamento do espaço exterior e privacidade.
A Casa da Madalena e seu programa está organizada em três volumes.
O volume central onde estão organizadas as funções sociais, o volume a poente onde estão organizados os três quartos e dois banhos e o corpo ou anexo a nascente caracterizado pelo coberto de garagem e o volume de arrumos e área técnica.
O corpo central predomina sobre os outros pela sua volumetria de dois pisos que caracteriza principalmente o espaço de sala e sala de jantar com pé direito duplo.
A desarticulação geométrica entre os volumes salienta as suas diferenças. As ligações são realizadas por volumes de geometrias concordantes.
Optei por paredes estruturais em betão aparente e de aparência bruta, fugindo do betão super perfeito, tecnológico, japonesado, quase que betão não é.
O resto foi preenchido por estruturas de madeira e vidro.
Método estranho, se compararmos com o que habitualmente se faz o que levou a várias e curiosas especulações durante o processo construtivo.
Laje de pavimento em betão, paredes ao alto, isoladas, sem tecto ou lajes, mais parecia uma escultura ou instalação, enquanto aguardava a entrada em obra do carpinteiro. Especulava-se que seria uma nova capela ou algo pouco definido a que as imaginações, várias, são profícuas.
Não, era simplesmente uma habitação que com as suas paredes de betão bruto vira as costas à urbanidade da rua a norte, abre-se completamente a sul para usufruto do jardim, do sol, da luz e da privacidade que os terrenos agrícolas, ainda, oferecem.
No interior as paredes de betão deram lugar a paredes em gesso cartonado pintadas de branco, madeira de riga, estrutural nos tectos, e caixilharias que também têm funções estruturais.
O piso é todo em xisto, o interior e o exterior numa continuidade pretendida.
Cobertura e impermeabilização em chapa de cobre.
O escritório é o coro do espaço de capela que caracteriza a sala, o volume principal.
O acesso, em escada, aparentemente estranha, difícil, revelando-se surpreendentemente confortável no uso.
É a transgressão sempre apetecível, desejada, compensação neste mundo de regulamentações obstinadas e obtusas.

Gaia, 14 de Agosto de 2008

Carlos Castanheira, Arqtº

Ficha Técnica

Cliente:
Maria de Fátima Tavares dos Reis Poças

Local:
Rua do Cerro – Madalena
Vila Nova de Gaia – Portugal

Data de Projecto:
Dezembro 2003 / Abril 2005

Construção:
Maio 2005 / 2008

Proj. Arquitectura:
Carlos Castanheira, Arqtº.
Carlos Castanheira & Clara Bastai, Arqtos Lda.

Colaboração:
Orlando Sousa
Vasco Melo
Ricardo Leite
Sofia Costa Reis
Demis Lopes
Luis Calheiros(3D)
João Figueiredo(3D)

Proj. Engenharia:
Paulo Fidalgo, Eng. Civil
HDP Gabinete Projectos. Engenharia Civil, Lda.

Construtor:
A Construtora de Loureiro, Lda. (Empreiteiro Geral)

Carpintarias:
Henriques & Rodrigues, Lda.

Fotografia:
Fernando Guerra
FG+SG – Fotografia de Arquitectura
Casa da Madalena
Madalena - Vila Nova de Gaia - Portugal | 2003 - 2008