EXPOSIÇÃO . ÁLVARO SIZA - ESQUISSOS AO JANTAR

A maior parte dos meus desenhos obedece a um fim preciso: encontrar a Forma que responda à Função e da função se liberte - e do esforço – abrindo-se a imprevisível destino.

Simultaneamente ou não, “ao lado”, surge outro desenho.

Desenho de prazer, de ausência, de repouso, cruza-se com o outro, pois de nada nos alheamos por inteiro.

Um ou outro podem surgir na mesma folha de papel, aparentemente estranhos, voluntária ou involuntariamente relacionados.

Pode um retrato minucioso ou um risco ao acaso iluminar no instante a paciente pesquisa, percorrendo os corredores da memória, sem que haja apelo ou consciência disso.

Desenho é projecto, desejo, libertação, registo e forma de comunicar, dúvida e descoberta, reflexo e criação, gesto contido e utopia.

Desenho é inconsciente pesquisa e é ciência, revelação do que não se revela ao autor, nem ele revela, do que se explica noutro tempo.

Liberto, o outro desenho conduz ao desenho consciente.

Novembro de 2001
Álvaro Siza