A CARREGAR

Descrição

A ideia está no sítio, foi dito, afirmado, escrito e é verdade.
Não só a ideia como o nome advêm do sítio.
Adpropeixe, quase parece um nome saído de um livro do Ásterix, é um local do Parque Natural do Gerês, da freguesia de Vilar da Veiga e concelho de Terras de Bouro. Fica ali mesmo à borda de água depois de passar as pontes e pouco antes de chegar ao Gerês, às Termas.
Mais fácil chegar de barco do que por terra ou monte, o local é único e única teria que ser a resposta à encomenda, específica; uma casa de Madeira.
O cliente, apaixonado do Gerês, da albufeira, da água, procurava um local onde comprar, de preferência construir, casa.
Depois de uma longa procura surgiu a hipótese de compra de um terreno onde, em tempos, antes da existência do Parque Natural, um campo de ténis tinha sido construído, legalmente e devidamente registado.
A existência do campo de ténis, com 800m2 de impermeabilização de solo, permitiu a construção de uma habitação com menos de 200m2, máximo permitido e quando possível, pelos regulamentos em vigor.
Para lá chegar é necessário subir o monte, percorrer estrada sinuosa em alcatrão, sempre a subir e, chegando quase ao cimo, descer e descer por caminho de terra batida, sinuoso à beira de precipício e vista deslumbrante.
A vegetação é densa luxuriante apesar de se ainda sentirem algumas marcas de um fogo que andou por ali há já alguns anos. O campo, ou laje de betão pintada de verde com umas riscas brancas e que serviu para bater umas bolas, era a única plataforma plana de todo o terreno com 14.500m2.
Encravado no monte, a natureza foi-se adaptando a este elemento. O campo de ténis já se encontrava dentro do bosque aquando da primeira visita ao local.
À chegada, por cima, pelo caminho, a vista é deslumbrante, magnífica, abrangendo a parte da albufeira mais calma, e por pouco não se vêem as pontes.
No campo ou plataforma, a vista é interior, pois a vegetação, densa não permite olhares panorâmicos.
A ideia, óbvia, estava ali.
A chegada por cima, a elevação do volume da habitação da cota da plataforma de modo que o prazer de alcance de vista estivesse sempre presente, utilização da área, plana, da plataforma, para apoio e circulação.
Ao chegar ao terreno desde o penedo existente, o acesso faz-se por uma ponte localizada à cota da cobertura. Descendo tem-se acesso à entrada, principal embora pouco usada no dia-a-dia.
A organização interna é simples: na entrada nasce um corredor que permite o acesso à sala e cozinha e, a uma cota um pouco mais alta a três quartos e banhos.
Da sala tem-se acesso a um grande terraço exterior, aquilo a que agora se chama um deck. Desde os quartos é possível o acesso a uma varanda, que pela diferença de cota se diferencia do terraço apesar de nele estar inserida.
Uma circulação exterior e periférica, a uma corta inferior, permite que a guarda, necessária, não prejudique o gozo da paisagem.
A casa, ou o volume habitável, está elevado do solo por cinquenta e dois pilares de madeira, num emaranhado ordenado e construtivo.
O mesmo emaranhado, ou lógica, é desenvolvido nas estruturas de lajes, paredes e escadas.
Quase tudo ficou à vista, mesmo quando coberto por isolamentos térmicos ou impermeabilizantes. No interior a estrutura é à vista e é sentida, vivida.
Sapatas de betão, o único utilizado nesta obra. Ligações em ferro. Estrutura, pavimentos interiores e tectos em madeira de casquinha vermelha, os exteriores em madeira cumaru. Revestimentos exteriores, paredes e cobertura em cobre. Vidro nas caixilharias de madeira. Tubos, fixações em cobre e rede em fio de polipropileno, funcionam como guardas.
A Casa de Adpropeixe é um mirante habitável, elevado do solo mas ligado ao local e neste inserido.
O terreno, a área, o Parque, desde que se iniciou a construção da casa, está melhor, não só pela casa, mas pela necessária vivência que esta implicou, implica e implicará.

Está mais limpo o monte, foram criadas reservas de água, plantadas árvores, melhorados caminhos, humanizada a natureza,
A arquitectura deu uma ajuda.


Agosto de 2008
Carlos Castanheira

Ficha Técnica

Cliente:
Tiago Sousa Lopes
Local:
Lugar da Costa da Barca
Vilar da Veiga - Terras de Bouro
Gerês - Portugal

Data de Projecto:
2005 – 2008
Área da Propriedade:
18.700 m2
Área de Construção:
190 m2

Proj. Arquitectura:
Carlos Castanheira
Carlos Castanheira e Clara Bastai, Arqtos Lda.

Colaboração:
Pedro Carvalho
João Figueiredo (3D)

Proj. Engenharia:
HDP, Gabinete de serviços e projectos de engenharia civil, Lda.
CONCILIARUM, Projectos e soluções de engenharia, Lda.

Construção/ Carpintaria:
Carpicunha madeiras Lda.

Revestimentos e Funelarias:
ASA, Antonio Sousa Alves Lda.

Metalurgia:
Val e Quintão Lda.

Betão:
Imobiliaria CMCJC Lda.

Vidro:
Lusoduplo lda

Exteriores:
Domingos Príncipe

Electricidade:
Electrilouro Lda.

Ar Condicionado:
Oliveira e Araújo Lda.

Domótica:
Enancer Electronica Sa.

Pichelaria:
Branco Pichelaria

Fotografia:
Fernando Guerra
FG + SG – Fotografia de Arquitectura

Casa Adpropeixe
Vilar da Veiga - Terras de Bouro - Gerês - Portugal | 2005 - 2008